Mais do que pra relembrar as matérias de História estudadas em época de colégio, “A revolução dos bichos” serve para refletir sobre questões atuais na sociedade. Diferente de prova de escola, onde existe certo ou errado em questões de interpretação de texto, no mundo da resenha crítica pode-se interpretar do jeito que o autor quiser, contanto que as considerações tenham bases contundentes. Escrever aqui sobre as analogias dos personagens com o totalitarismo de Hitler e Stálin e as consequências sociais locais e globais seria repetir o que está muito bem escrito por Christopher Hitchens, em 2006, no posfácio do livro. Além disso, a Wikipédia me pouparia o trabalho de refletir e divulgar o fruto das minhas reflexões. Segue abaixo uma resenha crítica sobre o livro “ A Revolução dos bichos”, de George Orwell, pautada em reflexões sobre temas atuais no Brasil e no mundo.

 Carla Vilardi

É possível comparar a inocência do livro de George Orwell com a de contos de fadas da Disney, dos irmãos Grimm, das músicas feitas na época da ditadura militar e das cartas escritas em códigos para que não houvesse problemas se aberta pela pessoa errada. No livro, “A psicanálise dos contos de fadas”, é possível ver que depois que a psicanálise desmitificou a “inocência” e a “simplicidade” do mundo da criança, os contos de fadas voltam ser lidos ( e discutidos), justamente por descreverem um mundo pleno de experiências, de amor, mas também de destruição, de selvageria e de ambivalências. A psicanálise provou que, na verdade, os pais temem que os filhos os identifiquem com bruxas, monstros e madrastas e, em consequência, deixem de amá-los.  Para os ditadores, seus subordinados podiam até não amá-los, o que importava era a disciplina de não se opor a decisões de cima e aceitar as escolhas do ditador como única alternativa para se viver “melhor”.

O uso de analogias e metáforas era a única forma de se expressar em épocas de repressão a tudo que fosse diferente do que pensava o ditador. Na Europa, os ditadores agiam contra a difusão de um simples livro sobre uma revolução de bichos numa fazenda. A Santa Inquisição queimava documentos e ocultava livros. No Brasil, exilavam compositores de simples canções de MPB. Sabe-se que as histórias e músicas de simples não tinham nada, por isso a alienação da população e a publicidade eram quesitos chave para se manter no poder sem grandes contestações.  

Com Adolf Hitler no poder se instaurava nos meios de comunicação a visão do bem contra o mal, onde outros povos e etnias como judeus, ingleses, etc, apareciam como criaturas maléficas. O importante era não ter dúvida de quem representava o mal. No livro de Orwell, o publicitário é um porco chamado Garganta. Era ele o responsável por limpar e glorificar a imagem do camarada Napoleão, o porco ditador da fazenda.  Era ele o responsável por editar os mandamentos e os slogans de acordo com as novas ordens.  De “ quatro pernas bom, duas pernas ruim”, para “ quatro pernas bom, duas melhor ! “ . “Todos os bichos são iguais” para “  Todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros”.

As ovelhas serviam como garotas-propagandas recitando em uníssono os “jingles” (in)convenientes. O porco Bola-de-neve era o inimigo criado para que todos os percalços fossem culpa dele. Quer estes fossem plausíveis de culpa suína ou não. Até mesmo se algo supostamente “roubado” por Bola-de neve, que não dava “os focinhos” na fazenda desde que fora atacado por cachorros criados por Napoleão,  aparecesse dias depois em algum lugar da fazenda. Se alguém precisava ser culpado, que fosse Bola-de –Neve.

É na alienação do povo que os ditadores se consagram. É na opção da pessoa de se manter alienada que os ditadores triunfam. Muitos tem a possibilidade de estudar mais do que outros mas optam por viver no hedonismo. Muitos, como o personagem  Benjamin de Orwell, sabem ler tão bem quanto os dito inteligentes, no caso, os porcos, mas não exercem essa faculdade. Só resolvem agir em um momento de desespero. Por não terem criado seguidores ao longo dos anos, no fim, os que ouvem não são suficientes para ações coletivas darem certo.

No mundo globalizado , de distâncias geográficas diminuídas e de fácil acesso a informação restam poucos exemplos de totalitarismo e alienação comparados a época em que não existia a internet. Poucos exemplos de países e sistemas socialistas estão vigentes,  mas é importante ressaltar que o poder econômico e a grande população da China incomodam grandes potências capitalistas. O governo chinês proíbe sites que não são convenientes ao seu governante, por exemplo. E nos países do terceiro mundo, em particular o modo de governar de Hugo Chavez, na Venezuela, candidatos carismáticos e políticas assistencialistas ainda elegem líderes.  A política do “pão e circo” continua sendo opção essencial para que as diferenças sociais agravadas pelo capitalismo não gerem guerras civis ou revoluções no sistema de governo.

 É importante ressaltar que histórias como a de Hitler e da Revolução Russa servem apenas para entender desencadeamentos na história mundial. Não servem de exemplo e muito menos de inspiração para que se formem Hitlerzinhos ou Stalinizinhos.  A população de um país democrático tem que entender suas áreas e formas de atuação e agir.  Em prol da humanidade e não de interesses próprios.

Por Mariana Cardoso

O livro “A Revolução dos Bichos” mostra bastante coisa da própria experiência do autor Eric Blair, que ficou famoso com George Orwell. Blair viveu a utopia do socialismo soviético e se frustrou com o sistema depois que Stálin assumiu o poder. O autor utiliza a revolução dos bichos para criticar a situação política e relaciona personagens fictícios a personalidades da época.

No livro, a partir do momento em que ocorre um desentendimento entre os bichos devido à diferença ideológica de ambos, um porco começa a colocar ordem de uma maneira nada igualitária. Isso pode ser visto em uma famosa frase presente no enredo. “Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais do que outros”.           Essa leitura nos permite associar a um acontecimento marcante na historia do mundo. É impossível não associar essa metáfora ao movimento revolucionário ocorrido na Rússia czarista em 1917. A Revolução acontecida no livro é deturpada igual à existente no país europeu. Os líderes subseqüentes a Lênin, Trotski e Stálin, possuem diferenças ideológicas. Stalin despacha seu companheiro e passa a administrar autoritariamente a URSS existente na época. Essa semelhança ao regime stalinista é notável na obra de George Orwell.  

O autor conseqüentemente faz uma critica direta ao sistema comunista.  O fato de apenas um porco tomar as decisões perante todos, e ter diversas mordomias, retrata bem o sistema stalinista. A igualdade nunca foi posta em prática, elas apenas era uma teoria para convencer seus explorados. A doutrina ditatorial faz de Josef Stalin, um verdadeiro vilão na história da humanidade. No livro, o termo “Animalismo” é uma menção ao Stalinismo.

O livro foi feito a partir de 1937 e publicado somente em 1945, ano em que o mundo passava pelo terror da Segunda Guerra Mundial. O pacto entre União Soviética e Hitler foi substituído por uma aliança com o Império Britânico. O mundo passou, então, a fechar os olhos para a tirania e crueldade praticadas pelo regime. Ao expor e criticar o Estado Soviético, Eric Blair atingiu a todos os aliados.

“A Revolução dos Bichos” não só critica o regime do Governo Soviético, como também aponta as consequências do poder. O livro critica como a pessoa pode mudar ao chegar a uma posição privilegiada perante os outros. Corrupção, a falta de liberdade de imprensa e de expressão e propinas são exemplos das consequências do poder, principalmente em políticas que não há democracia. A história do livro pode ser vista em diferentes situações da história, em diversos lugares do mundo, até os dias de hoje.

George Orwell, escritor, jornalista e militante político, participou da Guerra Civil Espanhola na milícia marxista/trotskista e foi perseguido junto aos anarquistas e outros comunistas pelos stalinistas. “A Revolução dos Bichos” (1945), somente pôde ser publicada após o término da segunda guerra e trata-se de um conjunto de metáforas que deixam a entender, para os leitores, o que ocorre nos regimes totalitários. O livro é escrito em forma de fábula, mas não é uma fábula qualquer. É uma crítica ao totalitarismo político e à revolução russa que pôs Stalin no poder. Orwel elaborou uma narrativa brilhante na qual todos os personagens têm equivalentes no mundo real.

 No início do livro todos os perfis dos animais são traçados: os porcos, as ovelhas, os cavalos, as vacas, as galinhas, o burro, possuem traços marcantes de manipulação, teimosia, alienação, ignorância, dispersão. O embrião da revolução começa com Lênin representado por Major, porco respeitado na fazenda, que reúne todos os animais e conta seu sonho visionário de como será o mundo quando os animais assumirem o poder. Declara em tom profético a necessidade dos bichos acabarem com a tirania dos homens e estabelecer o Animalismo. Logo se cria um hino e os animais são contagiados pelos versos revolucionários e entoam apaixonadamente a canção “Bichos da Inglaterra”.

O Animalismo pregava a existência de um único inimigo, a ditadura, representada pelo Homem.  Os russos, nesta época, passavam por grandes privações e aqueles que renunciaram à liberdade em troca de promessas de segurança acabaram sem nenhuma delas. Os porcos Bola-de-neve e Napoleão, representando Stalin e Trotsky, são os protagonistas da revolução, no entanto, as constantes desavenças culminam com a expulsão de Bola-de-neve pelos cães, ou se preferirem, pela KGB, a polícia russa.

A sátira faz um retrato fiel através de bichos do que ocorria na Rússia. Foram estabelecidos sete mandamentos que tinham metas igualitárias e refutavam o antigo regime, mas com o passar do tempo observa-se uma transgressão de todos os ideais almejados para o novo sistema. Os animais eram constantemente enganados com mentiras e os que eram considerados subversivos às resoluções e determinações eram julgados e executados, acusados de alta traição. A censura foi, paulatinamente, imposta e os direitos do trabalhador se encerraram na indiferença dos poderosos.

A revolução da Granja dos Bichos se repete na história. Novos personagens assumem os papéis dos protagonistas e o enredo continua. Revoluções que não melhoram o quadro social, muitas vezes pioram, não podem possuir essa nomenclatura. Precisamos repensar os mandamentos que norteiam nossas ações e refletir sobre a realidade com olhos de transformação sem apagar da memória nossa história.

Marcos Barros   

Turma 09 horas

Por Edlange Valverde

O livro Revolução dos Bichos, de George Orwell, é uma narrativa cortante do ponto de vista histórico da época em que foi publicado, em 1945, sem perder de vista o caráter atemporal do texto. Revolução dos Bichos é um clássico que jamais vai envelhecer ou perder valor. A narrativa de George Orwell é visceral e continua tendo valor de análise ainda hoje, século XXI.  O maior trunfo do livro é trazer aspectos marcadamente presentes nas relações de poder de países que adotaram o regime socialista ou sofreram um golpe de estado vindo a se tornar ditaduras.

“De boas intenções o inferno está cheio”, frase famosa do francês São Bernardo de Clairvaix, apesar de ter sido dita no século XII ilustra bem a iniciativa de governos que adotaram o regime socialista no século XX. O socialismo enquanto teoria é perfeito, mas no frigir dos ovos a coisa é bem diferente. Com o tempo, o senso de igualdade, cooperação e justiça se perde e dá lugar a estados tiranos e castradores das liberdades individuais.

No livro, os animais da Granja do Solar cansados das péssimas condições de vida e de um dono violento e explorador resolvem fazer uma revolução. Liderados pelos porcos, os animais resolvem resgatar o controle de suas vidas. Na nova ordem, os bichos tomam conta da granja e obedecem sete mandamentos que mais tarde são deturpados. A propriedade deixa de se chamar Granja do Solar para adotar o nome Granja dos Bichos. Isso faz lembrar mudanças de nome que sofrem países que mudam de regime político ou dirigente. A África é o continente campeão de trocas de nomes. Países que foram explorados por povos europeus tentam a todo custo se distanciar do passado colonial. O Zimbábue é um exemplo. O nome Rodésia foi uma homenagem a Cecil Rhodes, figura importante do colonialismo britânico. Com a conquista da independência em 1980, o país passou a se chamar Zimbábue, em referência ao passado africano. O país sofre com uma cruel ditadura desde então. O presidente, Robert Mugabe, está no poder há 30 anos.

O que não faltam são exemplos de mudanças que não alteram absolutamente nada.  Em 1984, Alto Volta virou Burkina Faso (que significa “terra dos homens corretos”), mas a população burquinense continua tão pobre como quando era voltense. O desejo de ruptura com o passado é compreensível. Nomes representam a memória coletiva e a história de um povo.  Porém, na maioria dos casos, as mudanças são manobras políticas para ocultar incompetência e corrupção.  O nome pode até se tornar mais identificador da população do país, mas não passa de um simulacro.

Outro problema comum em países pobres retratado em Revolução dos Bichos é o descolamento do líder em relação à população. No livro, a lua-de-mel entre os animais e seus líderes dura pouco. Com o tempo, os porcos se envaidecem e se isolam dos demais animais alegando precisar descansar num lugar melhor porque a atividade intelectual de manter a granja em funcionamento exige muito deles. Passagem que permite comparar a fábula com a realidade de países que sofreram golpes de estado.  Escassas aparições públicas sob forte escolta policial, roupas, casas e carros de luxo, enquanto a população vive na miséria se repete em países sob o jugo de cruéis ditaduras como, por exemplo, a Guiné Equatorial.  O presidente, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, é um dos líderes mais ricos do mundo com fortuna estimada em mais de 500 milhões de dólares. Obiang mandou executar seu antecessor (como Napoleão fez com Bola de Neve no livro) e seu regime é conhecido por prisões arbitrárias, tortura de presos políticos, corrupção e usurpação da riqueza petrolífera do país.

Como a sociologia e a filosofia já dizem há muito, o homem é cheio de paixões e a todo momento é tentado a ceder a esses impulsos. A sedução do poder e os benefícios que se pode tirar dele corrompem ideologias e pessoas. Revoluções socialistas e golpes de estado prometendo a população uma sociedade mais justa e igualitária não são mais novidade. George Orwell antes mesmo de escrever Revolução dos Bichos já sabia disso. Peculiaridades a parte, a história é sempre a mesma.

Considerado pela Revista Time um dos 100 melhores romances da língua inglesa, o livro de George Orwell “A Revolução dos Bichos” traz para a sala de aula parte da história mundial em forma de fábula. Escrito em 1945, em plena Segunda Guerra Mundial, voltado para o público infantil, o livro retrata a Revolução Russa usando como personagens apenas animais, que foram comparados com os reais líderes da Revolução Francesa.

A Revolução que ocorre no texto, inicialmente pensada pelo porco ancião Major que morre logo no início da história, tem como princípio o Animalismo – teoria política fictícia do livro que se assemelha ao real Stalinismo. Essa, aliás, está longe de ser a única comparação do livro. Os líderes da Revolução eram os porcos, considerados os mais inteligentes, enquanto as ovelhas eram as cegas seguidoras, podendo ser comparadas à massa Alguns animais foram comparados com líderes da própria Revolução Russa:

“Como não ver Stálin no despótico Napoleão e Trotski no proscrito Bola-de-Neve?” [1]

É muito difícil ver no livro uma fábula. O detalhamento com que Orwell descreve a Revolução, e a perfeita associação dos reais personagens do movimento com os animais do livro. Até os conflitos do livro são os mesmos da realidade.

Na história, após a morte de Major, Bola-de-Neve e Napoleão se elegem os líderes da Granja dos Bichos. Apesar de terem a mesma visão sobre os seres humanos, eles diferem em todo o resto, o que causa muitas crises e termina quando Bola-de-Neve vai embora da Granja. A partir de então, Napoleão vira o único com poder e instaura o regime que ele concorda. Aos poucos, o poder vai subindo à cabeça do porco, que começa a tomar atitudes que antes eram consideradas humanas, como comercializar produtos, beber, fumar ou dormir em camas. Para isso, ele muda os sete mandamentos iniciais da Revolução, como “Não dormirás em camas com lençóis, entre outros. Napoleão ainda usa de seu poder como desculpa para impor sobre os outros animais. A dita igualdade que deveria ser trazida pela Revolução, deu lugar ao poder concentrado nas patas dos porcos e cachorros, seus fiéis escudeiros.

Ao longo do texto, fica claro que Napoleão era exatamente como o velho Sr. Jones, o antigo dono da Granja do Pomar, como era chamada a Granja dos Bichos antes de ser dominada pelos animais na Revolução. Os animais, apesar de no início terem mais liberdade, passaram a ter mais trabalho. Mas aos poucos, acabaram perdendo essa liberdade, e o domínio de Napoleão só aumentava. Apesar disso, continuaram apoiando a Revolução, pois o “assessor de imprensa” de Napoleão, o porco Garganta, fazia sempre lobby para o líder, lembrando os animais como as coisas eram com o Sr. Jones mandando na Granja. Por isso, eles aceitavam que Napoleão mudasse os mandamentos da Revolução, sempre querendo aliviar seu próprio lado, para poder fazer coisas que antes julgava ruins por serem costumes humanos. Além disso, de nada adiantava o resto dos animais ameaçar Napoleão. Seu exército de cachorros (tirados das mães assim que nasceram e criados por Napoleão para serem seus seguranças particulares) ameaçava os animais, chegando a matar vários que se fizeram contrários ao regime imposto pelo ditador da Granja.

Apesar de ter sido escrito a mais de 60 anos, a história pode ser considerada bem atual, pois a maioria dos regimes políticos da atualidade se assemelha ao regime imposto por Napoleão. O regime totalitário, que prega a igualdade, mas considera alguns não melhores, mas “mais iguais” que os outros. O personagem de Bola-de-Neve ainda pode ser visto atualmente também, mas não como uma pessoa ou animal. Mas sim aquele perigo constante que nos persegue 24 horas por dia, devido à grande insegurança que passamos pela falta de segurança do Brasil.


[1] “BICHOS, A Revolução dos”, Orelha, 12ª reimpressão.

   por Gabriela Amorim

   O poder excessivo concentrado nas mãos de uma só pessoa pode ser um grande risco à liberdade. Essa é uma das mensagens que o livro de George Orwell, “A Revolução dos Bichos”,  tenta passar aos seus leitores. Através de personagens que fazem alusão a líderes de revoluções  como Stalin e Trotski, a história conta como o sonho de igualdade entre  todos os bichos de uma fazenda foi transformado em uma nova ditadura, sem que seus componentes tivessem a capacidade de reivindicar e lutar contra aquele tipo de sistema.

    Após se dar conta das injustiças que sofria na Granja do Solar, o porco Major tem o sonho de transformar a granja, que pertencia ao fazendeiro Jones, em um lugar igual para todos. Ao conseguir a adesão dos bichos para a revolução que supostamente deveria modificar o sistema antigo, os porcos (os únicos que tinham raciocínio equiparado ao dos humanos)  comandam a expulsão dos humanos pelos animais da fazenda e passam a determinar regras que democratizassem o local.

    No inicio foram instituídos sete mandamentos que firmavam os ideais animalistas e que precisariam ser respeitados para que todos convivessem em harmonia. Como a maioria dos animais não possuía a capacidade de raciocínio que os porcos tinham, houve a decisão de que apenas estes e alguns cães receberiam educação, metaforizando assim o que geralmente ocorre em sistemas inicialmente socialistas e posteriormente ditatoriais. 

    Entre os líderes estavam Bola-De-Neve, que apesar de ter um raciocínio superior aos outros, sonhava em impor a liberdade e a igualdade entre os cidadãos da granja; e Napoleão, que pensava excessivamente em seus próprios interesses e no decorrer da historia passa a modificar todos os mandamentos.

    O banimento de Bola-de- Neve da fazenda, feito por Napoleão e seus cães devidamente treinados, foi apenas o começo  do que o domínio  do ditador poderia fazer. Ovelhas, cavalos, burros  e outros animais  continuariam a trabalhar em regime escravo, mas seriam sempre convencidos de que aquela condição em que viviam era ainda melhor do que o período em que a revolução ainda não tinha acontecido – mesmo que trabalhassem muito mais do que no período de Jones.

    Para cada decisão autoritária que o líder Napoleão tomava, o porco Garganta- responsável por  difundir as ultimas noticias da granja – mascarava os fatos  e se aproveitava da inocência e da falta de raciocínio lógico da população.  Garganta representa na realidade a importância da imprensa “comprada” pelo governo, para a perpetuação dos mesmos lideres no regime.

    Aos poucos a liberdade de expressão vai sendo extinta por completo, e tornando-se lucrativa apenas para o líder. Mandamentos como o não envolvimento com humanos já eram mais respeitados. A ditadura se aproveita da falta de memória dos fatos anteriores e do esquecimento dos mandamentos. São poucos os animais capazes de ler as promessas do começo, e mesmo os que retornam aos mandamentos não são capazes de reivindicar por melhores condições. A mesma situação ocorreu em sistemas autoritários como o Stalinismo, no qual o governo se aproveitou da falta de instrução do povo para dar o golpe e expulsar Trotski do comando.

            A fábula criada por George Orwell, nome fictício de Eric Blair, jornalista e romancista que usava codinomes para distribuir suas obras em tempos de conflitos e totalitarismo, faz referencia a personalidades da história em “A Revolução dos Bichos”, de 1945. O texto de Orwell relata uma revolução, arquitetada e planejada pelos próprios animas de uma fazenda, que visavam não mais servir aos “controladores” humanos. E com a relação de força, poder e sabedoria que a revolta destes animais se desenvolve.

                Cada personagem criado por Orwell era altamente representativo. Sejam os porcos com sua sabedoria e controle sobre outros, as seguidoras ovelhas, os cachorros treinados para servir e obedecer fielmente, os cavalos e aves, que sempre fizeram seu trabalho sem questionar ou o corvo e suas histórias. E o homem, que chegou a ser perseguido, aceitado e até integrado. Todos eram camadas de uma sociedade que se formava devido a uma revolução. A revolta organizada pelos bichos formou classes e determinou um regime. Assim como o totalitarismo, os mais inteligentes se impuseram e controlaram o poder, influenciando as classes para ouvi-los, sem questionar, e aceitá-los.

                Havia os que não eram incomodados e seguiam as ordens.  Já os que apenas tinham a capacidade de trabalhar, que sem questionamentos, acreditavam em informações dadas pelos, naquela situação, superiores. Segurança para repressão do poder também estava presente naquele rancho, e até uma representação da fé existia no local. Porém, o mais intrigante, que ia de encontro com tudo que aquela revolução representava, a independência de suas relações com o homem, fora deixada de lado em troca de uma satisfatória relação comercial com o passar dos anos.

                Assim como inúmeros regimes por todo o globo, nas guerras do século XX, muitos lideres caíram em contradição. Os que antes acreditavam na mudança e buscavam prosperidade foram envolvidos pelo poder, assim como os que obtiveram o controle da Granja do Solar. A Granja do Animais, como assim foi batizada após conquistada, não passou de uma simples troca de poderes. Tudo do que se acreditava quando a revolta era sonhada, as leis, regras e objetivos foram alterados e colocados de lado em função de uma vida farta e exploradora, já que as classes mais baixas aceitavam qualquer orientação vinda de cima, pois assim como eles os que ordenavam, faziam parte daquela revolução.

                Orwell utiliza muito bem da ironia em sua história colocando os homens, que dizem lutar pelo igual, similares aos porcos que usam de sua capacidade do saber para controlar o poder. Assim como no tempo em que este conto foi escrito, existem exemplos similares nos dias atuais. Cuba e Venezuela são nações que buscaram mudanças, mas caíram em um poder centralizado que impede avanços significativos e fechado para participação popular. Estas são provas de como o conto de Orwell é contemporâneo. A pequena fazenda do norte da Inglaterra serve de exemplo e lição, para muitas gerações, de como são naturais as mudanças e como elas podem, com a mesma naturalidade, perderem seus valores. Desta forma, “A Revolução dos Bichos” se imortaliza na história refletindo os altos e baixos da luta pelo poder.

Por Fred Rocha

Por Marcela Frotté

Os animais que viviam na Granja do Solar, liderados por um porco chamado Major, fizeram uma revolução popular para tirar do poder o granjeiro Jones. É disso que se trata o livro “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell. A história muito se compara ao contexto vivido na época em que foi escrito, entre 1930 e 1940, em plena Segunda Guerra Mundial. O socialismo surge como uma ameaça ao capitalismo e as revoluções comunistas exemplificam isso. Tanto a Revolução Russa, quanto a cubana, não tiveram “bons” resultados. O que era pra ser um governo de todos, virou um totalitarismo autoritário. E essa também é a história do Major.

Ele é o líder da guerra travada com Jones. Os porcos assumiram esse papel por serem os mais inteligentes entre os animais. Ao assumirem o poder, o ideal pregado no início da revolução – “todos os animais são iguais”- parece ter perdido a força. Foi implantada uma sociedade de privilégios, na qual somente os porcos podem tudo. Nos dias de hoje, não são raros os casos em que um líder popular muda a sua política ao assumir o poder. É o caso do Lula que, com o apoio do povo, saiu do Sindicato dos Metalúrgicos para a presidência do Brasil. Já no poder, não deixou de ajudar os mais pobres, mas mudou seus ideais políticos. Também é o caso do presidente da Venezuela, Hugo Chavéz, que foi eleito democraticamente, mas transformou o país em uma ditadura.

Orwell quis abordar a questão de como o poder pode mudar a mente das pessoas e a opinião ser manipulada para beneficiar um grupo de indivíduos. São os chamados formadores de opinião que, no livro, estão representados pelo personagem Garganta. Ele é o porta-voz do líder e seu papel é o de informar os outros animais para que o regime consiga se sustentar. Por isso, nem tudo falado é verdade. Atualmente, os órgãos de imprensa quase sempre fazem o papel do Garganta. Induzem a sociedade a aceitar fatos, ideias e situações que podem ser prejudiciais, por conta de uma troca de interesses. O conhecido episódio do debate entre os candidatos à presidência do Brasil, em 1989, Lula e Fernando Collor, é um retrato da manipulação. A Rede Globo apresentou uma versão editada do debate, com os melhores momentos do Collor e os piores do Lula.

            Em contrapartida, existe o outro lado que é alienado pela imprensa, geralmente representado pela classe média e pelo povo. No livro, essas classes se encontram nos personagens das ovelhas e do cavalo Sansão, respectivamente. Aquelas só repetiam os slogans criado pelo garganta, sem perceber a real intenção dos porcos. Já Sansão era quem mais trabalhava e tinha um bordão de lealdade: “Trabalharei mais ainda”. Mesmo com todo o seu esforço, quando ficou doente e a sua força já não servia mais, ele foi vendido ao açougue sem dó nem piedade. Muitos trabalhadores brasileiros dedicam as suas vidas ao ofício esperando que, quando precisarem, terão as recompensas. Mas acabam desamparados pelo governo, assim como Sansão.

            Para finalizar, outro aspecto abordado por Orwell é o da ameaça que acaba por reforçar o poder predominante, através do medo que gera na população. Em todas as sociedades, independentemente do período em que existiram, ameaças colocavam em risco a ordem. Na Idade Média, eram os bárbaros. Em 1945, era o comunismo que assombrava o mundo e a concretização do capitalismo. No livro, essa ameaça é personificada pelo porco Bola de Neve, que é o inimigo invisível da Granja. Apesar de ter sido um dos mais atuantes na Batalha do Estábulo – que consolidou a revolução – ele foi apontado como grande traidor pelo porco Napoleão, tempos depois. Em 2010, o que amedronta o mundo é o terrorismo praticado pelos países que detém tecnologia nuclear, como a Coréia do Norte e o Irã. Portanto, no final das contas, não se sabemais dizer se os homens são os porcos ou se os porcos são os homens.

Por: Danielle Lobato

Mesmo ações baseadas em ideais de igualdade que conquistam muitos adeptos estão fadadas muitas vezes ao fracasso da porque são corroídas pela natureza humana e desembocam em tiranias. É do que trata o livro satírico de George Orwell, A Revolução dos Bichos, escrito na época da Segunda Guerra Mundial. Como um crítico assumido da ditadura de Stalin, Orwell escreve A Revolução dos Bichos atacando o modelo soviético sob a ditadura de Stalin, e faz um retrato muito fiel através de bichos do que ocorre de fato na tentativa de implantar o comunismo.

A trama se desenrola e montra que aqueles que renunciam à liberdade em troca de promessas de segurança acabam sem nenhuma delas. A promessa de igualdade conquista através das emoções, mas na hora dos resultados, o EU se exalta e acaba por deixar os ideais de lado.

A fábula se passa na Granja do Solar, onde os animais eram explorados por seu dono. O velho porco Major fez um discurso sobre um sonho que conquistou todos os animais. O homem seria o grande inimigo, o único inimigo, e retirando-o de cena, a causa principal da fome e da sobrecarga de trabalho desapareceria para sempre. Logo uma canção foi criada para transmitir a mensagem igualitária do sonho dos animais da granja. Todos repetiam aqueles versos com profundo entusiasmo. O futuro seria magnífico. Para tanto, bastava lutar, mesmo que custasse a própria vida. Sansão, o forte cavalo, era o discípulo mais fiel. Não sabia pensar por conta própria, aceitando os porcos como instrutores, por sua reconhecida sabedoria. Passava adiante o que era ensinado, através da repetição automática, como vemos de fato nos chavões e slogans repetidos ad nauseam pelos comunistas, como por vitrolas arranhadas. A figura de Sansão é o retrato perfeito da massa trabalhadora, que bem intencionado, acaba servindo como peão de manobra dos oportunistas. Mas, quando perdeu sua força de trabalho, foi descartado. Esse personagem se assemelha aos aposentados no Brasil. Contribuem toda a vida com o governo, mas quando deixam de trabalhar recebem uma aposentadoria mínima e pouca consideração com a sua saúde e bem estar.

Os animais se revoltaram, e finalmente tomaram o poder da granja. Foram criados sete mandamentos, entre eles: qualquer coisa que andar sobre duas pernas é inimigo; nenhum animal dormirá em cama; nenhum animal matará outro animal; e o mais importante, que todos os animais são iguais. Com o tempo, todos estes mandamentos foram sendo devidamente ignorados pelos novos donos do poder, que os alteravam sem cerimônia alguma.

O leite das vacas, por exemplo, desaparecera. Com o tempo, o mistério foi esclarecido: era misturado à comida dos porcos. Mas o discurso era convincente. E como não poderia faltar no hipócrita discurso altruísta, usado para dominar os inocentes, há que existir um bode expiatório, um inimigo externo, ainda que fictício, que justifique os abusos domésticos. Logo, se os porcos falhassem nessa nobre missão, o antigo senhor voltaria ao poder, o terrível homem. E isso ninguém queria. Portanto, tudo que os sábios porcos diziam e faziam deveria ser verdade. Era pelo bem da granja! Qualquer sociedade independente de seu tempo foi ameaçada por algum tipo de inimigo comum. Em 1945, quando o livro foi lançado, o comunismo assombrava o mundo. Em nossa sociedade atual o inimigo comum são os países que detém tecnologia nuclear, como Coréia do Norte e Irã.

Durante uma batalha com invasores humanos, os porcos deixavam claro que não era para ter nada de “sentimentalismo”. Guerra é guerra, e “humano bom é humano morto”. O Stalin do livro é Napoleão, um porco esperto que criara em segredo os cachorros para servirem de capangas de suas atrocidades. Quando chega a hora de assumir o poder absoluto, outro porco, Bola-de-Neve vira vítima dos cães adestrados de Napoleão, para o terror de todos os animais que olhava m a cena. Bola-de-Neve seria o Trotski no livro, iludido pela revolução, mas depois enganado. Para que seu ataque a Bola-de-Neve fosse válido, Napoleão o associa ao inimigo comum aos animais da Graja dos Bichos, o homem.  Ele reescreve totalmente a história e transforma Bola-de-Neve num espião, que desde o começo da revolução trabalhava para o inimigo. As regras mudam, as votações acabam, e as decisões passam a ser tomadas por uma comissão de porcos, presidida por Napoleão. Isso tudo é passado aos animais como um grande sacrifício de Napoleão, tendo que carregar o fardo da responsabilidade, em prol do bem-geral. Era isso ou o retorno do homem malvado. Esse “argumento” era infalível. O personagem Garganta legitimava as ações de Napoleão, era seu porta voz. Suas informações eram meias verdades que servia para controlar a massa dentro no regime. Ele representa o poder da imprensa e as ovelhas e galinhas representam a classe média. Em qualquer país, essa classe tem um perfil comodista e estagnado, aceitam o que lhes é imposto pelo governo. Na Granja elas repetiam de forma mecânica o que o Garganta falava. Até hoje vemos exemplos de manipulação pelos órgãos de imprensa. Algumas revistas e emissoras aderem a um candidato político e apenas informam aos leitores o que exalta esse candidato. Assim deixa de informar de forma imparcial.

Com essa mudança de atitude do novo líder dá-se início a um verdadeiro culto de personalidade, como costuma ocorrer em todos os países socialistas. Napoleão passa a dormir na cama, ignorando um dos mandamentos da revolução, que passa a contar com um adendo que diz que nenhum animal deve dormir em cama com lençóis.

Os sete mandamentos davam lugar a apenas um agora: “Todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros”. Os porcos ligados a Napoleão passaram a negociar com os homens de outras granjas vizinhas, algo totalmente condenado na revolução. Passaram a beber álcool, também condenado, e aprenderam a andar em duas patas. No fim, era completamente indistinguível quem era porco e quem era homem. Eis o destino inevitável dos igualitários revolucionários. Instalam um regime tão opressor ou mais que o anterior, tudo em nome da granja da igualdade.

 

 

Por Juliana Mendes

A obra A Revolução dos Bichos de George Orwell é uma fábula que trata sobre temas atemporais, como corrupção, traição, poder e ganância. Lançado em 1945, o livro é uma grande crítica ao contexto político-econômico mundial daquela época, mas sem ser explícito demais já que os personagens da história são animais de uma fazenda

Vendido como uma história infantil, o texto traz a história da Granja do Solar, onde os animais estão cansados de serem explorados pelo dono da fazenda, o Sr. Jones. Então, comandados pelo porco Major os animais resolvem fazer uma revolução, tomam conta da granja tirando Jones do poder e fazem com que todos os animais vivam em total igualdade e sem exploração. Mas com o desenrolar da história, os ideais e interesses de cada animal começam a colidir com os dos outros. Com a morte de Major logo no início, dois porcos se destacam como as principais mentes do processo de transição, Napoleão e Bola-de-Neve. A partir disso, começam as traições, corrupção, mentiras, ameaças e torturas.

No livro pode-se observar referências a Revolução Russa. O autor, que era socialista, presenciou a transição da Rússia para virar uma nação comunista, mas que acabou se tornando uma nação totalitária. Orwell, que era contra qualquer tipo de imposição e totalitarismo, tinha em seus principais personagens características vistas nos principais personagens da Revolução Russa. Major tinha características de Lênin, Napoleão, era Stálin e Bola-de-Neve, Trotski.

George Orwell, pseudônimo de Eric Arthur Blair, nasceu na Índia colonizada por ingleses, e teve toda sua educação na Inglaterra. Orwell sempre foi contra injustiças, opressão e sempre apoiava os mais pobres e oprimidos. Em relação a isso A Revolução dos Bichos tem uma curiosidade. A edição ucraniana da obra teve o prefácio feito para os camponeses e trabalhadores ucranianos que lutavam pela revolução, mas que tinham perdido a fé em Stálin. George Orwell também fez questão de não receber seus direitos autorais por essa edição nem por nenhuma outra que fosse traduzida em línguas de povos muito pobres.

A Revolução dos Bichos é considerada uma obra atemporal, que pode ser encaixada em qualquer época, inclusive a atual. Hoje em dia podemos ver que poucas coisas mudaram em relação à política internacional. Ainda existem países que vivem sob ditaduras violentas, existem políticos que chegam ao poder com um discurso, mas que logo o mudam e existem nações que ameaçam, ou são consideradas ameaças, à hegemonia de grandes blocos. E é isso que George Orwell mostra em seu livro de uma forma muito mais fácil e simples de entender, mas que acaba se tornando uma fórmula sobre o mundo da política.

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